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sábado, janeiro 05, 2013

Por que os Beatles são uma Merdinha Mole


Decidi abrir o ano da graça de 2013 polinizando polemizando.

Decidi que chega de me esconder de fãs xiitas que demandam minha cabeça quando exponho determinadas opiniões.

Decidi que está na hora de mandar os (acima citados) fãs xiitas a merda.

Decidi que, em meus reviews musicais, começarei o ano da graça de 2013 falando de uma das maiores desgraças musicais que o showbizz já nos empurrou:

Os bitous.

E o farei comparando-os a uma das bandas mais fodonas que já existiu. Banda esta conterrânea e contemporânea dos Bitous. Uma banda que poucas pessoas conhecem, mas que mesmo assim moldou o rock'n'roll profundamente ao seu bel-prazer. Uma banda injustiçada pelo showbizz, mas que mesmo assim seguiu em frente, produzindo músicas boas&honestas.

The Kinks. E chega de ficar repetindo palavras.

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Bom, vamos por partes, já diria o Jack Estripador:

Qualquer pessoa minimamente inteligente e com algum conhecimento musical admite sem muita careta que os bitous são superestimados. Fala-se de uma genialidade e de uma criatividade que beiram o mítico, mas que em verdade, se revelam falaciosas.

Em um primeiro momento, os bitous apenas faziam o som que o grande Chuck Berry fazia, com letras igualmente inocentes. E isso com um atraso de quase 10 anos. Há criatividade nisso? Há inovação? Definitivamente não, mas três rostinhos bonitos (O Ringo era feio) e altamente vendáveis certamente eram uma mina de ouro para empresários e afins explorarem livremente.

Os anos foram passando e o público foi mudando. Os hippies (eca!) demandavam letras mais engajadas, uma sonoridade mais elaborada e, por que não?, doses significativas de psicodelia. Os bitous atenderam esta demanda do mercado (frisos nesta palavra) e assim produziram suas músicas.

Alguém grita na multidão "Viu? Isso é um exemplo de inovação e criatividade!"

Tá, tenho que dar o braço a torcer e admitir isto, mas ainda discordo da dita genialidade do Lennon ou do outro fulano. Afinal de contas, bandas como Rolling Stones, Beach Boys e os Kinks estavam, simultâneamente, compondo músicas igualmente complexas. Os bitous apenas vendiam mais.

E assim se sucedeu até que eles tiveram a brilhante idéia de acabar com a banda (e melhorou depois que um doido teve a brilhante idéia de matar o Lennon.)

Até agora apenas me ative ao quesito "suposta genialidade dos bitous" e julgo ter sido claro o suficiente em desmascará-la. De agora em diante, darei um exemplo de uma verdadeira genialidade musical subestimada e vocês, ímpios, verão por que bitous é uma merdinha mole.

Os Kinks, pra início de conversa, tem um nome escroto. Um nome rock'n'roll. Pode-se traduzir como "Os Pervertidos", e isso já se configurava como uma bela voadora de dois pés na caixa dos peitos do showbizz. Afinal de contas, como vender uma banda com um nome desses?

Fato inegável que The Kinks surgiu quatro anos após os bitous, mas já chegaram inovando, ao contrário dos quatro capengas de Liverpool, que começaram copiando. Dave Davies, guitarrista do Kinks, simplesmente inventou a distorção na guitarra, rasgando o cone do seu amp. Me diga uma inovação tão profunda no rock'n'roll que se iguale a invenção da distorção. Existem poucas. E nenhuma executada pelo bitous.

Com suas guitarras distorcidas (e pesadas pro padrão da época) e atitudes extremamente rock'n'roll (como brigas constantes com o público), eles foram proibidos de tocar nos EUA, privando-os do rico mercado americano. Daí a razão do desconhecimento geral da nação em relação aos Kinks. Isso, contudo, serviu de inspiração para a banda. Eles surfaram na onda do experimentalismo e engajamento musical para criticar pesadamente a sociedade puritana inglesa. Enquanto os bitous cantavam "give peace a chance" e insistiam numa xurumela hippie de paz e amor, os Kinks mandavam a rainha tomar no cu, o mercado musical pra merda, criticavam o consumismo pesadamente e cantavam uma história de amor sobre um cara apaixonado por um traveco. Mais rock'n'roll que isso, impossível.

E, em minha opinião, a cereja no bolo é: The Kinks nunca se tornou psicodélico. Enquanto 99% das bandas da época abriam as pernas pra tocar o que o mercado exigia, os Kinks tocavam o que eles queriam. E isso não incluia sons bizarros pra hippie chapado de LSD ficar ouvindo doidão. Eles mantiveram uma atitude honesta e sincera, sempre fazendo um rock'n'roll pesado, pra frente e de verdade. Lá em cima eu citei a invenção da distorção pelo Dave Davies. Como se não bastasse, com esse tipo de crítica social, simplicidade musical (que não significa músicas feias, diga-se) e peso, eles pavimentaram o caminho pro Punk Rock. E também pro hard-rock. Que banda no mundo pode ser creditada por tantas inovações? Muito poucas, e The Kinks é uma delas.

O que fodeu a banda foi a década de 80, mas isso não é nenhuma surpresa, dada a minha teoria do buraco negro cultural oitentista.

Quem vence a batalha então?

The Kinks, claro. Mesmo por baixo da carne seca, eles criaram sonoridades e estilos musicais que, mais tarde, viriam revolucionar o rock'n'roll. E o que os bitous fizeram? Apenas venderam mais. The Kinks fazia rock'n'roll de verdade. Os bitous faziam musiquinha pra menininha histéria e pra hippie chapado. Os Kinks faziam o que queriam. Os bitous eram manipulados pelo mercado.

Por sinal, este texto não significa a abertura de uma discussão. Significa minha opinião e eu não quero ouvir a sua. Estou farto de fã xiita de bitous. O Saco de Pão é que nem a República Popular da China: é república e popular só no nome.



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