Este review fala sobre o álbum novo do C.J. Ramone, chamado Reconquista.
E este review foi difícil de escrever por que, invariavelmente (e obviamente), terei que mencionar os Ramones. E isso é mais complicado que admitir ser corintiano pros pais. Vamulá.
Um belo dia, lá estava eu no buzu me martirizando por que no final das contas, eu sou um belo de um vagabundo. Procrastinação é meu segundo (e terceiro!) nome, e eu sempre deixo tudo pra depois. Eis que começa a tocar o Reconquista no meu fone e a lembrança de que eu deveria fazer um review sobre este álbum reaparece em minha caixa craniana. Só que desta vez ela trouxe sua amiga: a força de vontade. E cá estou. Escrevendo. E sem saber direito pra onde ir.
First things first, tenho que explicar o que os Ramones simbolizam pra mim, e não é pouca coisa. Para tanto, voltemos aos meus primeiros passos no mundo do roquenrrou. Como todo bom neófito, eu não fazia idéia de onde eu estava me metendo quando ouvi meus primeiros discos: Number of the Beast, do Airon Meiden e o bom e velho Loco Live, do quarteto novaiorquino. Tenho que admitir que demorei uns bons anos até entender aquele som. Até hoje me faltam palavras pra descrever o por quê de eu entendê-lo, e mais importante, gostar. Talvez sejam as palhetadas sincronizadas com o hi-hat, em frequências
Como todo Ramonemaníaco, eu fiquei triste ao saber das mortes dos integrantes. Primeiro Joey, depois Dee Dee e em seguida o Johnny, os boatos de um possível retorno da banda foram pro saco preto. Ces't la vie, pensei eu. Pelo menos os sacanas deixaram uma caralhada de discos gravados e uma infinidade de bootlegs. Dá pra viver assim.
Só que por essa eu não esperava: onze anos se passaram desde a morte de Joey e, em 2012, cai no meu colo um puta presente: minha mamãe me manda um link do Youtube, onde o C.J. Ramone (o baixista e mais jovem integrante da banda) é entrevistado em um talk-show brasileiro. E não é que o sacaninha estava apresentando seu álbum solo, o supra-citado Reconquista?
E, caralho, baixei esse álbum mais rápido que um nerd pentelho pode dizer bazinga.
É sabido que o C.J. cantou em diversas músicas dos Ramones, e sempre gostei de sua voz. É bem limpa, contrastava muito bem com a do Joey e, até certo ponto, lembra muito a voz de um Joey mais jovial, no início da carreira. Um disco todo cantado pelo C.J., onde ele assume clara e honestamente um sincera homenagem aos Ramones, só pode ser bom. E é.
Em todas as faixas eu me senti como se estivesse ouvindo um cd novo dos Ramones, e pude me deixar levar pela idéia fantasiosa (porém genial) de que eles milagrosamente tinham voltado a tocar, compor e gravar. É difícil selecionar uma ou outra faixa em especial para mencionar aqui neste texto: todas as faixas são ramonesisticamente perfeitas! Porém, este review não seria sério se eu deixasse de mencionar duas músicas em especial: "Three Angels" e "You're the Only One".
-A primeira por ser uma bela canção sobre os falecidos integrantes, homenageando-os da melhor forma possível: com um bubblegum-punk-rock na medida certa, com um refrão fascinante, desses que infectam teu cérebro e são custosos pra sair.
-A segunda por ser claramente uma música feita para o Joey cantar. Não é preciso muito esforço criativo para imaginar a voz dele casando perfeitamente com aquela melodia e ritmo mais lento. E é exatamente este o maior triunfo deste disco: É Ramones. Fica difícil enxergá-lo (na verdade, ouví-lo, dãã) apenas como um disco solo do C.J., simplesmente por que este disco é Ramones. E ponto.
Engraçado que eu mostrei esse texto para uma amiga e até então ele terminava no parágrafo acima. Ela disse que era meu pior review e que ele acabava muito do nada. E eu sei disso, mas não posso evitar: Ramones é um negócio sério pra mim. É difícil fazer um texto engraçado, com piadinhas, quando eu tenho de tratar de um assunto que julgo ser primordial em minha vida. Assim, depois de muito pensar, vi que tinha que terminar este texto afirmando categoricamente e novamente: Reconquista é um disco muito bom feito por um Ramone, para os Ramones e para Ramonemaníacos que nem eu. É Ramones, porra!!
E para ilustrar o quão os Ramones me são importantes, aqui vai um quadrinho mongol:
Ramones é foda.
(aqui embaixo, um link com o disco na íntegra!)
http://grooveshark.com/album/Reconquista/8250254
