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quinta-feira, março 14, 2013

Reconquista!

Sem brincadeira, esse review me custou alguns meses. Sério. Na real, eu não sabia como começá-lo, dada a importância que essa banda tem. Na verdade, tinha. Droga, eu nem vou fazer um review sobre essa banda! Vou fazer sobre outra banda! Tá difícil até de manter uma linha de pensamento... Mas, como vocês verão, tudo vai se encaixar conforme os conformes.

Este review fala sobre o álbum novo do C.J. Ramone, chamado Reconquista.

E este review foi difícil de escrever por que, invariavelmente (e obviamente), terei que mencionar os Ramones. E isso é mais complicado que admitir ser corintiano pros pais. Vamulá.

Um belo dia, lá estava eu no buzu me martirizando por que no final das contas, eu sou um belo de um vagabundo. Procrastinação é meu segundo (e terceiro!) nome, e eu sempre deixo tudo pra depois. Eis que começa a tocar o Reconquista no meu fone e a lembrança de que eu deveria fazer um review sobre este álbum reaparece em minha caixa craniana. Só que desta vez ela trouxe sua amiga: a força de vontade. E cá estou. Escrevendo. E sem saber direito pra onde ir.

First things first, tenho que explicar o que os Ramones simbolizam pra mim, e não é pouca coisa. Para tanto, voltemos aos meus primeiros passos no mundo do roquenrrou. Como todo bom neófito, eu não fazia idéia de onde eu estava me metendo quando ouvi meus primeiros discos: Number of the Beast, do Airon Meiden e o bom e velho Loco Live, do quarteto novaiorquino. Tenho que admitir que demorei uns bons anos até entender aquele som. Até hoje me faltam palavras pra descrever o por quê de eu entendê-lo, e mais importante, gostar. Talvez sejam as palhetadas sincronizadas com o hi-hat, em frequências alucinadoras alucinantes... talvez sejam as letras simples e vicerais (e muitas vezes, de uma irônia cômica foda!)... talvez seja o conceito de "barragem sonora", onde a música simplesmente não pára de vir... Eu sei lá. Eu sei que os Ramones foram a banda que mais me influenciou. (Não é a toa, uma vez eu fiquei com uma mina só por que ela parecia o Joey Ramone. Até hoje me sacaneiam por isso).

Como todo Ramonemaníaco, eu fiquei triste ao saber das mortes dos integrantes. Primeiro Joey, depois Dee Dee e em seguida o Johnny, os boatos de um possível retorno da banda foram pro saco preto. Ces't la vie, pensei eu. Pelo menos os sacanas deixaram uma caralhada de discos gravados e uma infinidade de bootlegs. Dá pra viver assim.

Só que por essa eu não esperava: onze anos se passaram desde a morte de Joey e, em 2012, cai no meu colo um puta presente: minha mamãe me manda um link do Youtube, onde o C.J. Ramone (o baixista e mais jovem integrante da banda) é entrevistado em um talk-show brasileiro. E não é que o sacaninha estava apresentando seu álbum solo, o supra-citado Reconquista?

E, caralho, baixei esse álbum mais rápido que um nerd pentelho pode dizer bazinga.

É sabido que o C.J. cantou em diversas músicas dos Ramones, e sempre gostei de sua voz. É bem limpa, contrastava muito bem com a do Joey e, até certo ponto, lembra muito a voz de um Joey mais jovial, no início da carreira. Um disco todo cantado pelo C.J., onde ele assume clara e honestamente um sincera homenagem aos Ramones, só pode ser bom. E é.

Em todas as faixas eu me senti como se estivesse ouvindo um cd novo dos Ramones, e pude me deixar levar pela idéia fantasiosa (porém genial) de que eles milagrosamente tinham voltado a tocar, compor e gravar. É difícil selecionar uma ou outra faixa em especial para mencionar aqui neste texto: todas as faixas são ramonesisticamente perfeitas! Porém, este review não seria sério se eu deixasse de mencionar duas músicas em especial: "Three Angels" e "You're the Only One".

-A primeira por ser uma bela canção sobre os falecidos integrantes, homenageando-os da melhor forma possível: com um bubblegum-punk-rock na medida certa, com um refrão fascinante, desses que infectam teu cérebro e são custosos pra sair.

-A segunda por ser claramente uma música feita para o Joey cantar. Não é preciso muito esforço criativo para imaginar a voz dele casando perfeitamente com aquela melodia e ritmo mais lento. E é exatamente este o maior triunfo deste disco: É Ramones. Fica difícil enxergá-lo (na verdade, ouví-lo, dãã) apenas como um disco solo do C.J., simplesmente por que este disco é Ramones. E ponto.

Engraçado que eu mostrei esse texto para uma amiga e até então ele terminava no parágrafo acima. Ela disse que era meu pior review e que ele acabava muito do nada. E eu sei disso, mas não posso evitar: Ramones é um negócio sério pra mim. É difícil fazer um texto engraçado, com piadinhas, quando eu tenho de tratar de um assunto que julgo ser primordial em minha vida. Assim, depois de muito pensar, vi que tinha que terminar este texto afirmando categoricamente e novamente: Reconquista é um disco muito bom feito por um Ramone, para os Ramones e para Ramonemaníacos que nem eu. É Ramones, porra!!

E para ilustrar o quão os Ramones me são importantes, aqui vai um quadrinho mongol:




Ramones é foda.

(aqui embaixo, um link com o disco na íntegra!)


http://grooveshark.com/album/Reconquista/8250254












sábado, janeiro 05, 2013

Por que os Beatles são uma Merdinha Mole


Decidi abrir o ano da graça de 2013 polinizando polemizando.

Decidi que chega de me esconder de fãs xiitas que demandam minha cabeça quando exponho determinadas opiniões.

Decidi que está na hora de mandar os (acima citados) fãs xiitas a merda.

Decidi que, em meus reviews musicais, começarei o ano da graça de 2013 falando de uma das maiores desgraças musicais que o showbizz já nos empurrou:

Os bitous.

E o farei comparando-os a uma das bandas mais fodonas que já existiu. Banda esta conterrânea e contemporânea dos Bitous. Uma banda que poucas pessoas conhecem, mas que mesmo assim moldou o rock'n'roll profundamente ao seu bel-prazer. Uma banda injustiçada pelo showbizz, mas que mesmo assim seguiu em frente, produzindo músicas boas&honestas.

The Kinks. E chega de ficar repetindo palavras.

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Bom, vamos por partes, já diria o Jack Estripador:

Qualquer pessoa minimamente inteligente e com algum conhecimento musical admite sem muita careta que os bitous são superestimados. Fala-se de uma genialidade e de uma criatividade que beiram o mítico, mas que em verdade, se revelam falaciosas.

Em um primeiro momento, os bitous apenas faziam o som que o grande Chuck Berry fazia, com letras igualmente inocentes. E isso com um atraso de quase 10 anos. Há criatividade nisso? Há inovação? Definitivamente não, mas três rostinhos bonitos (O Ringo era feio) e altamente vendáveis certamente eram uma mina de ouro para empresários e afins explorarem livremente.

Os anos foram passando e o público foi mudando. Os hippies (eca!) demandavam letras mais engajadas, uma sonoridade mais elaborada e, por que não?, doses significativas de psicodelia. Os bitous atenderam esta demanda do mercado (frisos nesta palavra) e assim produziram suas músicas.

Alguém grita na multidão "Viu? Isso é um exemplo de inovação e criatividade!"

Tá, tenho que dar o braço a torcer e admitir isto, mas ainda discordo da dita genialidade do Lennon ou do outro fulano. Afinal de contas, bandas como Rolling Stones, Beach Boys e os Kinks estavam, simultâneamente, compondo músicas igualmente complexas. Os bitous apenas vendiam mais.

E assim se sucedeu até que eles tiveram a brilhante idéia de acabar com a banda (e melhorou depois que um doido teve a brilhante idéia de matar o Lennon.)

Até agora apenas me ative ao quesito "suposta genialidade dos bitous" e julgo ter sido claro o suficiente em desmascará-la. De agora em diante, darei um exemplo de uma verdadeira genialidade musical subestimada e vocês, ímpios, verão por que bitous é uma merdinha mole.

Os Kinks, pra início de conversa, tem um nome escroto. Um nome rock'n'roll. Pode-se traduzir como "Os Pervertidos", e isso já se configurava como uma bela voadora de dois pés na caixa dos peitos do showbizz. Afinal de contas, como vender uma banda com um nome desses?

Fato inegável que The Kinks surgiu quatro anos após os bitous, mas já chegaram inovando, ao contrário dos quatro capengas de Liverpool, que começaram copiando. Dave Davies, guitarrista do Kinks, simplesmente inventou a distorção na guitarra, rasgando o cone do seu amp. Me diga uma inovação tão profunda no rock'n'roll que se iguale a invenção da distorção. Existem poucas. E nenhuma executada pelo bitous.

Com suas guitarras distorcidas (e pesadas pro padrão da época) e atitudes extremamente rock'n'roll (como brigas constantes com o público), eles foram proibidos de tocar nos EUA, privando-os do rico mercado americano. Daí a razão do desconhecimento geral da nação em relação aos Kinks. Isso, contudo, serviu de inspiração para a banda. Eles surfaram na onda do experimentalismo e engajamento musical para criticar pesadamente a sociedade puritana inglesa. Enquanto os bitous cantavam "give peace a chance" e insistiam numa xurumela hippie de paz e amor, os Kinks mandavam a rainha tomar no cu, o mercado musical pra merda, criticavam o consumismo pesadamente e cantavam uma história de amor sobre um cara apaixonado por um traveco. Mais rock'n'roll que isso, impossível.

E, em minha opinião, a cereja no bolo é: The Kinks nunca se tornou psicodélico. Enquanto 99% das bandas da época abriam as pernas pra tocar o que o mercado exigia, os Kinks tocavam o que eles queriam. E isso não incluia sons bizarros pra hippie chapado de LSD ficar ouvindo doidão. Eles mantiveram uma atitude honesta e sincera, sempre fazendo um rock'n'roll pesado, pra frente e de verdade. Lá em cima eu citei a invenção da distorção pelo Dave Davies. Como se não bastasse, com esse tipo de crítica social, simplicidade musical (que não significa músicas feias, diga-se) e peso, eles pavimentaram o caminho pro Punk Rock. E também pro hard-rock. Que banda no mundo pode ser creditada por tantas inovações? Muito poucas, e The Kinks é uma delas.

O que fodeu a banda foi a década de 80, mas isso não é nenhuma surpresa, dada a minha teoria do buraco negro cultural oitentista.

Quem vence a batalha então?

The Kinks, claro. Mesmo por baixo da carne seca, eles criaram sonoridades e estilos musicais que, mais tarde, viriam revolucionar o rock'n'roll. E o que os bitous fizeram? Apenas venderam mais. The Kinks fazia rock'n'roll de verdade. Os bitous faziam musiquinha pra menininha histéria e pra hippie chapado. Os Kinks faziam o que queriam. Os bitous eram manipulados pelo mercado.

Por sinal, este texto não significa a abertura de uma discussão. Significa minha opinião e eu não quero ouvir a sua. Estou farto de fã xiita de bitous. O Saco de Pão é que nem a República Popular da China: é república e popular só no nome.



segunda-feira, setembro 10, 2012

Fear Factory - The Industrialist

As pessoas que me conhecem sabem muito bem que meu negócio mesmo é o punque-róque, suas derivações e é isso aí. Só as pessoas mais chegadas mesmo sabem que, na verdade, eu costumo alçar vôos à terra do metal, aquela terra estranha de homens de chapinha e calças de couro tora-bagos (que dividem certinho: uma bola pra esquerda, outra pra direita).

Tudo bem, devo admitir que a maioria das minhas viagens à terra do metal são bem infrutíferas. Se não termina nos 30 primeiros segundos, termina com altas risadas e muita vergonha alheia. Contudo, eu conheço alguns portos seguros nessa terra, onde é quase impossível uma viagem ser ruim.

Um desses portos se chama Fear Factory.

"Titio Guaré, por quais motivos você afirma isso com tamanha veemência?"

Oras, pelos seguintes motivos, ímpios:

1- Essa pegada Industrial fodona. Adoro essa estética cyberpunk, máquina sobrepujando o homem, Exterminador do Futuro e o escambau. E Fear Factory leva isso a outro nível, quase que absurdo. A começar pelas capas, passando pelas letras e finalmente chegando na sonoridade. Quando algum neófito do rock me pergunta "que raios é esse estilo 'Industrial'" eu respondo com apenas duas palavras.

Fear Factory!

Por quê? O som deles consegue ser rápido e preciso, como uma fábrica. Em alguns momentos até desumano e desalmado, como uma máquina. E a presença de samplers e teclados ajuda pra caralho nesse eletrônico clima nefasto (teclado é uma faca de dois gumes em qualquer rock'n'roll... mas isso é outro papo).

2- Fear Factory quase não tem solos de guitarra, que na terra do metal costumam encher mais o saco que caxumba quando desce.

3- Alguns Cd's dessa lynda banda não são um punhado de músicas desconexas, mas sim concept albuns que contam uma única história em todas as suas faixas. E o mais novo disco da banda (The Industrialist) se trata de mais um (bom) exemplo disso! Indo direto ao assunto: O protagonista (O "Industrialist") é a encarnação de todas indústrias na forma de um autômato. Os avanços mecânicos, tecnológicos e científicos durante a era industrial levaram à criação do "Industrialist". Na história, o autômato se torna senciente por meio de observação e aprendizado. Por fim, o que servia para ajudar ao homem se torna o seu fim. Um daqueles temas clássicos da ficção científica que não morrem nunca!

A sonoridade do disco é muito competente ao servir de moldura pra história, com todos os elementos clássicos de um bom Metal Industrial presentes (as palhetadas abafadas seguindo o bumbo alucinante, blast beats e um tempo bem marcado). Uma curiosidade é que justamente esse baterista acima citado não existe: O album todo foi gravado com uma bateria eletrônica (muito bem gravada e produzida por sinal... tive muito preconceito ao saber desse detalhe, mas mudei totalmente de idéia depois que eu a ouvi).

Outra curiosidade é que apenas os dois integrantes originais da banda gravaram a porra toda, portanto, você que toca bem: tome vergonha na cara e grave sua porra na tóra. Se dois caras fizeram essa porra toda sozinho, esperar por outros integrantes não é desculpa!

Terminando, é um puta disco do caralho. Desses que te empolgam nas horas mais chatas do batente. Desses que fazem você ficar fazendo air-guitar, principalmente nas faixas New Messiah e God Eater (que estão bem juntinhas uma da outra, criando assim 10 minutos de sonzeira boa!).

Terminando², é um disco desses que faz a terra do metal um lugar ainda habitável!



quinta-feira, setembro 06, 2012

Ultraje a Rigor VS. Raimundos

Existe um caso bastante emblemático de apadrinhamento acidental no rock'n'roll nacional (a rima não foi intencional... droga.): O Ultraje a Rigor e o Raimundos.

Vejamos:

Ambas as bandas, irreverentes, fizeram um puta sucesso com um rock'n'roll juvenil, pra frente e sincero. Uma na década de 80, outra nos anos 90. Ambas exaltam a beleza feminina ao modo pedreiro, têm gravações acústicas fenomenais e meio que estão no limbo do esquecimento (com a pequena exceção das participações do Ultraje no programa Agora é Tarde).

Tal pai, tal filho.

Mas, como em um reencontro róliujiano mela-cueca, pai e filho se encontram pela primeira vez, com um resultado fantástico:

Um álbum intitulado "Ultraje a Rigor VS. Raimundos".

A premissa é mais velha que cagar sentado: uma banda toca músicas da outra. Até aqui, nada de novo, certo? A cereja do bolo, no entanto, está na escolha das bandas!

Veja bem: várias músicas do Raimundos poderiam ter sido escritas pelo Ultraje nos idos anos 80 e vice versa! Roger cantarolando Selim ou o Pão da Minha Prima soa tão natural que mais parece uma canção genuinamente Ultrajiana. Já clássicos como Inútil e Nada a Declarar casam perfeitamente com o já tradicional hard-core "tu-pá-tu-pá", tão característico do quarteto brasiliense.

De fato, um feliz encontro de duas bandas que se merecem.

Só que...

A gravação poderia ter sido um pouco melhor. Principalmente voz do Roger e os backing vocals do Raimundos soam estranhos. De resto, nada a declarar (heh!) exceto que este talvez seja um dos melhores e mais felizes lançamentos nacional no ano da graça de 2012.

De brinde, um link do youtoba com o petardo sonoro em sua plenitude:




segunda-feira, julho 30, 2012

Turbonegro - Sexual Harassment

Como parte da nova política do SDP, utilizarei este espaço (o blog, ímpios) para mensagens de utilidade pública, como reviews de Albuns que eu gosto e de textos em geral. Não reclamem.


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Ainda me lembro (mentira) quando ouvi os marotos noruegueses do Turbonegro pela primeira vez. Foi Midnight NAMBLA e era uma puta música fodástica. O problema todo era que eu não possuia ainda o apurado espírito rock’n’roll necessário para uma correta digestão deste death-punk escandinavo. Eu era apenas um infante skatista, louco por South Park. Sendo assim, cometi a asneira de não cavar mais a fundo a discografia desta banda, que talvez seja a maior banda underground do mundo. Ou a menor banda mainstream.

Fato que anos depois caiu no meu colo o Apocalipse Dudes. E o Retox. E o Party Animals. E aí fudeu. Viciei neste som que é hard-rock e punk, mas não é um nem outro.

Faz um ou dois anos, vi a notícia de que a banda possivelmente ia acabar. O guitarrista mór, o Euroboy, aquele masturbador musical, tinha um câncerzinho. Pelas graças dos deuses nórdicos, ele sobreviveu, mas a banda não. O vocalista, um tal de Hank von Helvete virou crente, apagou as tatuagens e hoje em dia prega numa igreja. Digamos que ele fez um cover do Rodolfo.

A tristeza me abateu, mas tudo que é bom acaba. Me contentava com os cd’s já gravados pela banda e com doses homeopáticas de Dictators. Eita mundo injusto, reclamava eu. Heróis do rock se dissolvem no show biz enquanto nojinhos musicais superficiais pululam como acne na cara de um adolescente. Fazer o que?, é a vida.

Mas tal qual uma fênix, eis que vejo uma notícia: Turbonegro está gravando novo cd com vocalista novo. Dei pulinhos de alegria e aguardei ansiosamente até que veio o single.

You Give me Worms.

Devo admitir: de primeira, não gostei. Eu era muito viciado na infantil voz estridente do Hank, e eis que me aparece esse tal de Duke of Nothing, com um puta vozeirão rouco, de lenhador canadense. E isso era só o começo! O timbre tão característico da guitarra de Euroboy estava completamente mudado. Me cocei um pouco e esperei o cd inteiro (chamado Sexual Harassment) ser lançado, para uma melhor avaliação.

Aí então reparei o óbvio: A sonoridade mudou para acompanhar o vozeirão do Duke! A banda pulou de uma adolescencia hendonista eterna para um ínicio de vida adulta regado a rock’n’roll, cigarros e cachaça barata! Turbonegro havia voltado: Maior, melhor, mais madura e tão death-punk quanto antes!

A energia pulsa de faixas como TNA (The Nihilistic Army) e I Got a Knife (assim como da própria You Give me Worms). Em faixas como Rise Below e Mister Sister o peso e um tempo mais arrastado levam o ouvinte a apreciar dois temas bem comuns a banda: De como a cena rock’n’roll seria menos rock’n’roll sem Turbonegro e de como a viadagem masculina é... inerente a banda. E, como uma pedrada final, ainda existe uma danada chamada Dude Without a Face, com um riff demoniáco e uma letra... de terror. Dos trilobitas aos sodomitas!

Devo deixar claro: Sexual Harassment é um puta cd composto apenas de faixas ÓTEMAS. São músicas de difícil digestão, voltadas apenas àqueles possuidores do verdadeiro espírito rock’n’roll, mas que uma vez compreendidas e internalizadas, levam o ouvinte ao mais puro estado de caos e agressividade espiritual. Músicas perfeitas para bater o carro ou entrar numa briga com 3 caras maiores que você.

Nunca imaginei que um Abuso Sexual seria uma das melhores coisas que me ocorreu. Pelo menos em 2012.