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segunda-feira, abril 01, 2013

Um Mundo sem Internet



- Veja bem, sem internet eu não vivo.
- Larga a mão de ser exagerado... Sem comida você não vive. Ficar sem internet é de boa... lembra daquela vez no Capão? Você passou quase um mês.
- Fumando maconha pra caralho.
- E daí? Você fuma pra caralho aqui também.
- Não importa. Fiquei me coçando todo. Viciei nessa merda.


E ele de fato estava, assim como todos estamos. Ah, as comodidades das internets. Pagar conta sem fila? Fácil. Comprar bugigangas e fazer o capitalismo girar, azeitadinho? Mais simples, impossível! Chouriçar a mulherada? Basta digigar fb.com. Ficar de olho nas escapadas do maridão? Basta digitar fb.com também!


A internet é fantástica. Ainda me lembro bem da primeira vez que eu a vi. Foram piadinhas do Casseta e Planeta (na época que prestava) num site toscamente feito em html, escritas em Times New Roman e com um template que lembrava uma parede da caverna de Lascaux.


Por exemplo: Com a internet, a adolescência - notoriamente uma das épocas mais complicadas da vida -  se tornou infinitamente mais fácil. Foi-se a época dos nerds fracos e vulneráveis. Agora qualquer valentão espinhento está a mercê dos conhecimentos básicos de programação daquele que sofre o bullying (terminologia anglicista disseminada pela própria internet!). Basta descobrir a senha do feicebúque daquele wannabe playboy e pronto: Sua opção sexual será, para todo o sempre e amém, homossexual.


A internet é uma droga.


E o pior tipo de pessoa neste mundo (e talvez em outros também) é um drogado em crise de abstinência.


Vejamos:


Se por algum motivo bizarro o Brasil, este glorioso e pacífico país, cuja bandeira ostenta portentosos “nem um, nem outro”, fica completamente desprovido da Rede Mundial de Computadores.


Ora, o povo brasileiro, como eu disse, é pacífico. Toma na bunda em todos os aspectos possíveis, do climático ao puro karma, mas especialmente, nos aspectos políticos. E não reage. Ora, passividade digna de louvor, esta! Tal qual Jesus, o povo brasileiro toma um tapa e vira a outra face. E depois vira a testa. E depois vira a bunda.


Mas nunca se rebela! (No máximo reclama com o taxista.)


Outrora era o futebol, a TV e o rádio que entorpeciam o povo e o privava da vontade de se rebelar contra este status quo toscão. A internet, porém, jogou estas mídias ultrapassadas pro escanteio, tornando-as dispensáveis. Por exemplo: Prive um cidadão de todos os canais e estações, mas ofereça uma banda larga de qualidade. Ta-da! Eis um cidadão feliz.


Li em algum lugar que boa parte dos crimes cometidos são de origem sexual. Mais ou menos nesta equação:


Nêgo não fode + frustração - descarregar a frustração matando = crime


Ou,


Nêgo não tem grana - mulher gosta de dinheiro + nêgo rouba = as mina pira.


Seguindo essa lógica, a internet surge como a maior força apaziguadora das tensões sociais jamais concebida. Isso tudo por conta da pornografia.


Voltando ao cenário do Brasil sem internet, é fácil de imaginar o caos tomando conta de tudo e de todos. Linchamentos públicos de políticos, saques e arrastões, sub-celebridades indo para a fogueira, uma detonação termo-nuclear em Brasília e a abolição da lei anti-fumo. Mas a causa de todo este furor não seria a falta de internet, e sim a falta de pornografia.


Em outras palavras, agradeça aos esforços herleos de heroínas como Sasha Gray (dentre outras), pois é graças ao suor de seu trabalho que nostra socidade permanece assim: quase na ruína mas não exatamente dentro dela.


Ou tente criar mentalmente a expressão facial e gestual de você, leitor, quando sua internet cai ou simplesmente se recusa a conectar.

Simiesca, não?

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