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Larga a mão de ser exagerado... Sem comida você não vive. Ficar sem
internet é de boa... lembra daquela vez no Capão? Você passou quase um
mês.
- Fumando maconha pra caralho.
- E daí? Você fuma pra caralho aqui também.
- Não importa. Fiquei me coçando todo. Viciei nessa merda.
E
ele de fato estava, assim como todos estamos. Ah, as comodidades das
internets. Pagar conta sem fila? Fácil. Comprar bugigangas e fazer o
capitalismo girar, azeitadinho? Mais simples, impossível! Chouriçar a
mulherada? Basta digigar fb.com. Ficar de olho nas escapadas do maridão?
Basta digitar fb.com também!
A
internet é fantástica. Ainda me lembro bem da primeira vez que eu a vi.
Foram piadinhas do Casseta e Planeta (na época que prestava) num site
toscamente feito em html, escritas em Times New Roman e com um template
que lembrava uma parede da caverna de Lascaux.
Por
exemplo: Com a internet, a adolescência - notoriamente uma das épocas
mais complicadas da vida - se tornou infinitamente mais fácil. Foi-se a
época dos nerds fracos e vulneráveis. Agora qualquer valentão
espinhento está a mercê dos conhecimentos básicos de programação daquele
que sofre o bullying (terminologia anglicista disseminada pela própria
internet!). Basta descobrir a senha do feicebúque daquele wannabe
playboy e pronto: Sua opção sexual será, para todo o sempre e amém,
homossexual.
A internet é uma droga.
E o pior tipo de pessoa neste mundo (e talvez em outros também) é um drogado em crise de abstinência.
Vejamos:
Se
por algum motivo bizarro o Brasil, este glorioso e pacífico país, cuja
bandeira ostenta portentosos “nem um, nem outro”, fica completamente
desprovido da Rede Mundial de Computadores.
Ora,
o povo brasileiro, como eu disse, é pacífico. Toma na bunda em todos os
aspectos possíveis, do climático ao puro karma, mas especialmente, nos
aspectos políticos. E não reage. Ora, passividade digna de louvor, esta!
Tal qual Jesus, o povo brasileiro toma um tapa e vira a outra face. E
depois vira a testa. E depois vira a bunda.
Mas nunca se rebela! (No máximo reclama com o taxista.)
Outrora
era o futebol, a TV e o rádio que entorpeciam o povo e o privava da
vontade de se rebelar contra este status quo toscão. A internet, porém,
jogou estas mídias ultrapassadas pro escanteio, tornando-as
dispensáveis. Por exemplo: Prive um cidadão de todos os canais e
estações, mas ofereça uma banda larga de qualidade. Ta-da! Eis um
cidadão feliz.
Li em algum lugar que boa parte dos crimes cometidos são de origem sexual. Mais ou menos nesta equação:
Nêgo não fode + frustração - descarregar a frustração matando = crime
Ou,
Nêgo não tem grana - mulher gosta de dinheiro + nêgo rouba = as mina pira.
Seguindo
essa lógica, a internet surge como a maior força apaziguadora das
tensões sociais jamais concebida. Isso tudo por conta da pornografia.
Voltando
ao cenário do Brasil sem internet, é fácil de imaginar o caos tomando
conta de tudo e de todos. Linchamentos públicos de políticos, saques e
arrastões, sub-celebridades indo para a fogueira, uma detonação
termo-nuclear em Brasília e a abolição da lei anti-fumo. Mas a causa de
todo este furor não seria a falta de internet, e sim a falta de
pornografia.
Em outras palavras, agradeça aos esforços hercúleos de heroínas como Sasha Gray (dentre outras), pois é graças ao suor de seu trabalho que nostra socidade permanece assim: quase na ruína mas não exatamente dentro dela.
Ou
tente criar mentalmente a expressão facial e gestual de você, leitor,
quando sua internet cai ou simplesmente se recusa a conectar.
Simiesca, não?

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