Quarta-feira, Fevereiro 25, 2009

"Salvadô"

Salvador é uma cidade estranha. O ano, de fato, só começa após fevereiro, pois o comércio, mídia e povo vivem o período conhecido como AC/DC (antes do carnaval e depois do carnaval).
A cidade anda em marcha lenta, os shoppings fecham e as poucas opções desaparecem.
Lojas e salas em todos os cantos são alugadas para distribuição de abadás e os vendedores “alternativos” de celulares lhe avisam: “Depois do carnaval tá chegando uma porrada de material novo aí, viu negão.” Celulares de procedência duvidosa, estranhamente repletos de contatos, mensagens de texto, fotos do ex-usuário (às vezes, a última foto tirada retrata exatamente o momento do “perdeu, playboy”, onde é possível ver o ex-dono e uma mão atrás, prestes a tomar o aparelho).

Eu trabalhei durante alguns dias do carnaval e estava de plantão, à noite. O engarrafamento estava por todos os cantos, mesmo desviando quilômetros do centro do holocausto (foi o que fiz, e não adiantou). As milhares pessoas passando no meio da rua começam a te irritar de tal maneira que sua mente passa a projetar números e valores acima das cabeças delas. Adultos – 500 pontos; Idosos – 750; Cachorros em busca de sobras – 1500; Carrinhos de cachorro-quente, Churraqueiras, Vendedores de pipocas e cigarros – 2000 (cada).

E ano que vem tem mais.

1 comentários:

Tila Miranda disse...

Eis o caos do carnaval para um nã-folião observador da realidade.